A Comissão de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos (Cedecondh) ouviu, nesta terça-feira (26/10), as principais reivindicações das comunidades da Grande Cruzeiro. Paulo Jorge Cardoso destacou que a região conta com mais de 80 mil moradores, muitos dos quais em situação irregular. Observou que, com as obras da Copa do Mundo, a vida da comunidade será bastante alterada, principalmente pela abertura da Avenida Tronco. Segundo ele, a cidade e alguns moradores serão beneficiados com a construção, mas há muitos outros que ainda não sabem o destino das suas famílias devido às remoções que deverão ocorrer.
Cardoso sugeriu a regularização da área e transformá-la em um bairro. Disse que, se por um lado a clandestinidade é cômoda e traz vantagens como o não-pagamento de impostos, a situação presta-se também para o preconceito de que "só ladrão e bandido moram na região". Sugeriu a criação de um plano diretor local para definir os espaços.
Para outro representante da comunidade, Michael Santos, é preciso que a Câmara aprove imediatamente o projeto Bônus Moradia (que se encontra em diligência na Prefeitura), bem como o reconhecimento por parte do Executivo à Comissão de Habitação da comunidade que tem se encarregado dos levantamentos de áreas e buscando alternativas para o assentamento das famílias que serão desalojadas com as obras da Copa.
O vereador Adeli Sell (PT) sugeriu que as notas taquigráficas da reunião sejam encaminhadas ao prefeito José Fortunati e aos secretários dos órgãos envolvidos e que seja criada uma comissão de acompanhamento das obras. O vereador Toni Proença (PPS) sugeriu que a UniRitter se integre ao trabalho, ajudando a apontar soluções como a regularização fundiária, entre outros. Salientou que é necessário um projeto global, com a presença da comunidade, que trate de várias questões, não se limitando às intervenções físicas da obra.
O vereador Sebastião Melo (PMDB) afirmou que é preciso um desenvolvimento sustentável. Disse acreditar ser possível manter a maioria dos moradores na região, por meio da verticalização das construções. O vereador Maurício Dziedricki (PTB) afirmou que as obras da Copa têm significado para a elevação da qualidade de vida e auto-estima dos moradores e que a comunidade precisa ser ouvida.
O presidente da Cedecondh, vereador DJ Cassiá (PTB), questionou os benefícios que a Copa do Mundo deixará para as comunidades pobres. Lembrou que muitos moradores levaram vários anos para construírem as suas casas na Grande Cruzeiro e que agora estão ameaçadas de despejo. Disse que a comissão vai pedir uma audiência com o prefeito José Fortunati e com o seu secretariado para que a comunidade conheça melhor o projeto da Copa que vai atingir a região.
Vítor Bley de Moraes (reg. prof. 5495)
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